Adefav diz o que fez para sair da crise
Por Cristina Pellegrino Feres em 10.02.10
Se 2009 foi um ano difícil para a economia mundial, pior ainda foi para o Terceiro Setor que teve de se reiventar para ampliar sua área de atuação e base de recursos para manter o fornecimento de serviços que permitam cumprir as orientações internacionais e brasileiras sobre os direitos das pessoas com deficiência.
A redução de 40% no apoio da Secretaria Municipal de Educação, referente a um convênio de apoio à inclusão de 85 crianças deficientes, afetou a verba orçamentária da Associação para Deficientes da Áudio Visão – Adefav. Em pleno momento de crise econômica mundial, se viu forçada a buscar alternativas para diminuir seus custos operacionais, sem comprometer o atendimento aos seus 54 alunos na ocasião.
A saída foi efetuar cortes. Eles contemplaram desde a suspensão do atendimento das clínicas de fonoaudiologia e fisioterapia até a redução no número de atendimentos educacionais especializados às crianças com surdocegueira e deficiência múltipla matriculadas na rede municipal de ensino. Passaram de cinco para duas vezes por semana e foram acompanhados de redução na carga horária dos profissionais.
Sem capacidade para receber novas crianças, a Adefav arcou com o custo integral do atendimento a bebês, ciente da importância do trabalho preventivo para o desenvolvimento da criança.
Apesar das dificuldades, a Adefav fecha o ano com um saldo positivo e perspectivas promissoras para 2010. O segredo da superação veio de um conjunto de ações. Parcerias voluntárias apoiaram na organização de eventos beneficentes, na gestão de negócios com os princípios da governança corporativa e para o aumento da visibilidade do trabalho que a entidade desenvolve, indicando um início de estreitamento dos laços com a comunidade do Ipiranga.
Mas a maior mudança veio com a reestruturação do estatuto da entidade. Transformada em um Centro de Recursos para a Inclusão, a Adefav conseguiu captar recursos no exterior e, com isso, reduzir sua dependência de verbas governamentais. Graças à parceria com a Perkins School for the Blind (EUA), que possibilitou convênios com a Fundação Lavelle (EUA), a Adefav amplia seu projeto de capacitação. A iniciativa permitirá a realização de cursos on-line para universidades e de publicações especializadas, além de levar formação e conhecimento, através de treinamentos, para profissionais do Pará, Maceió e Fortaleza. Da Perkins International e Big Lottery Fund - SENSE (Inglaterra), virão recursos para ajudar a subsidiar a visita aos Centros de Formação e Acompanhamento à Inclusão – CEFAIS.
“Usamos todas as estratégias possíveis para não perder profissionais, não decepcionar as famílias de nossas crianças nem recusar atendimento especializado”, revela a diretora técnica, Maria Aparecida Cormedi.
A Adefav começa 2010 com a recuperação no atendimento das clínicas e das crianças em idade escolar. Hoje, dos 86 alunos matriculados, 61 são mantidos com verba de contrato firmado com a Secretaria Municipal de Educação, sendo os outros 25 custeados pela própria entidade através de recursos próprios, enquanto aguardam efetivação de cadastro pelo CEFAI.
Para 2010 a Adefav pretende ampliar a rede de parcerias para continuar a diminuir a dependência dos órgãos públicos e viabilizar, por exemplo, o atendimento em intervenção precoce a bebês de zero a 03 anos. Mas para a diretora da instituição, a prioridade é ampliar a rede de apoio junto à comunidade do Ipiranga, onde a Adefav está situada.
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